O pássaro cego
As tentativas de voo de Birdie, o pássaro cego. Narrativas do que ouviu na tentativa de se evadir e o sexto sentido :)
segunda-feira, julho 22, 2013
Valha-nos o Pessoa!
Não o irei fazer, apenas revejo o que publiquei em anos atrás e releio com prazer. Bem, eu acho agradável e sugestivo, uma espécie de poesia em prosa ou um registo com uma certa sensibilidade e subjectividade. Claro, eu sou suspeito.
Um bocado como mandar sms a si próprio, o cúmulo da solidão. "Olá, estás bom?" "Bem, bem, obrigado por perguntares", enfim, coisas deste género, é ridículo, bem sei, quer dizer, estou a falar sozinho.
Quem não está? Quem consegue comunicar, palpavelmente, com outro? A imensa dificuldade em entender o outro, o que realmente estamos a dizer e porque o estamos a dizer.
Aprendi a espreitar o diálogo, entender no sub-texto o que está ser dito ou pedido, tantas vezes as nossas mensagens mais não são que um pedido de socorro.
Pronto, help! Isto está tudo uma merda, não encontro soluções para tanta angústia, tanta ausência, tanto vazio. Adorava ter os v. comentários, as v. sugestões, o v. parecer, enfim o que possam mandar.
A coisa está fria, húmida, escura e pegajosa na caverna e lá fora não parece estar melhor, pelo que leio e ouço nas notícias. Precisamos de nos erguer de novo, cuidar do nosso e enfrentar, juntos, as dificuldades do viver.
Acredito poderosamente no poder do colectivo, ergam-se pássaros, cegos, zarolhos, coxos, levantem-se que a nossa Pátria está a sofrer.
É impossível não ser político num tempo em que precisamos de rever urgentemente onde nos encontrar, ter um sonho colectivo para um novo amanhã.
A escrita, a minha, não é mais que um grito sobre o mutismo hipócrita e desolador das mentiras com que nos envolveram, das verdades convenientes trocadas pela convenção social e amplificadas pelos media.
Leio e releio Pessoa e a Mensagem, acho que está lá tudo e a visão de um novo amanhã. A nós acreditar, a nós proclamar, a nós decidir o futuro, que assim não dá.
Valete Frates!
quarta-feira, junho 29, 2011

O nada tem uma descrição curiosa: “...”
Nem se pode acrescentar nada ao nada, nem tirar nada do nada e, já se sabe, nada é para sempre.
Contudo, se o nada é um infinito de nada, como pode não ser dimensionalmente infinito, nem durar para sempre? Pois se reduzo o nada a uma finitude, a uma limitação, então não é o NADA, será alguma coisa, mesmo que pequenina e poucochinha, mas ALGO e algo não é nada nem pouco, pois se todo o Universo coube num núcleo de Hidrogénio, nos primeiros instantes após o Big Bang, então tudo cabia em nada, bem não era bem nada, pouca coisa mas mesmo assim imensamente denso, energético e, com o desenrolar do tempo, muuuuuito grande, enormíssimo mas, e ainda assim, não infinito.
Donde se pode concluir que o espaço é limitado entre o mínimo e o enorme, mas não infinito num sentido ou outro.
Ah... e isso para dizer o quê? NADA J
Sorry about that!
terça-feira, junho 28, 2011
Porque estudo Astrologia?
O que me atraiu na Astrologia?
Aparentemente o sistema simbólico, hermético e poderoso, que tem por mérito ser simples (por se referir a alguns símbolos de apreensão imediata, por exemplo Carneiro ou Touro, Leão, outros um pouco mais difíceis Aquário ou Scorpio) mas extremamente difíceis de compreender profundamente, sobretudo, num sistema de relações múltiplas e sobrepostas (casas, signos e planetas e as suas interacções), para não referir os trânsitos, progressões, arcos e outras técnicas.
Maravilhosamente simples e poderosamente complexo. Eu sempre gostei de resolver problemas e puzzles e o grau dificuldade da astrologia, para além da chave elementar, apenas serviu como estímulo adicional à minha curiosidade e à necessidade de dar sentido ao todo. Porque, afinal, é isso que a Astrologia permite: dar coerência a factos, coisas e pessoas que de outra maneira pareceriam desencontrados. Ainda assim, nada tem resposta definitiva e cada cambiante, cada situação, cada pessoa tem uma história única e consequentemente, uma aplicação diferente. Não há duas pessoas iguais, não duas vezes o mesmo evento e também nada acontece sem deixar marcas no todo.
Das várias chaves simbólicas que abordei (Tarot, I Ching, Quirologia, Numerologia, Feng Shui, Ki das 9 estrelas) nenhuma me pareceu mais familiar do que a Astrologia, provavelmente por se socorrer de chaves baseadas na Mitologia Grega e nas raízes da nossa Civilização. Embora tenha estudado durante anos o pensamento Oriental, continuam a escapar-me conceitos fundamentais, nomeadamente pela minha incapacidade de ler e escrever essas línguas, o chinês em particular, sabendo que num ideograma estão contidos uma multiplicidade de sentidos e significados que iluminam o oráculo (no caso do I Ching): o som, o sentido, a própria grafia de um carater e a forma de o desenhar, contêm diversas chaves que para mim serão impenetráveis enquanto não dominar essa língua, e o pensamento que lhe jaz subjacente, tarefa que se me afigura muito difícil.
Pelo contrário a Astrologia está imensamente próxima de cada um de nós Ocidentais e é directamente abordável pelo estudante empenhado, na condição que este queira dedicar-lhe anos de vida. Efectivamente, depressa se tornou demasiado complexa para mim e de leituras relativamente imediatistas do início, passou a conter demasiados significados e demasiadas pistas que impedem a síntese e a visão de conjunto. De facto, quanto mais estudo e penso sobre o assunto, mais me dou conta que são as funções intuitivas e meditativas que podem vir ao meu socorro quando entro em confusão, o que sucede com maior frequência, para não dizer continuamente, do que gosto de admitir.
A Astrologia apela a todas as nossas capacidades e obriga a crescermos interiormente em verdade e humildade, porque é fácil verificar que sabemos muito pouco sobre seja o que for e qualquer pessoa, qualquer Ser, é imensamente mais complexo e rico do que aquilo que atabalhoadamente consigo revelar. Sinto-me realmente no princípio de um processo de aprendizagem que nos vai sendo, pela infinita misericórdia do Cosmos, revelado aos poucos e poucos. Ao mínimo sinal de ensoberbecimento, de arrogância, “eu já sei…”, foge-nos o fio e ficamos perdidos no labirinto sem luz e sem sentidos.
A Astrologia é provavelmente a chave hermética mais completa e difícil da nossa cultura e certamente quando praticada com o Coração conduz à Luz e à Verdade. Nela concorrem todos os conhecimentos abstractos, desde a filosofia, mitologia e ciências dos sinais (da semiótica à matemática), às ciências sociais, psicologia, sociologia, antropologia e outros mais concretos, desde a astronomia, à biologia. Obriga o iniciado a uma regra de vida e a um equilíbrio em muito ajudado por uma alimentação sã, uma higiene diária equilibrada (que devia incluir no meu caso, a meditação, o ioga, o cuidado do corpo) e uma contenção em geral na sua exposição social, às dinâmicas do momento e aos meios de massificação. Sem o obrigar, o praticante vai-se sentido compelido a integrar saberes milenares e adoptar uma certa reserva nos seus modos e usos, protegendo-se e preservando-se dos outros e do mundo, sem com isto significar que o iniciado tem de se retirar do Mundo, ou tornar-se um eremita, pelo contrário, o Mundo é o seu palco natural e de eleição e é n’Ele e por Ele que o processo de revelação, o Despertar, se manifesta. Já foi tudo dito pelos grandes Iniciados apenas actualizamos este Saber, contínua e permanentemente, na nossa Vida.
Este Caminho, difícil, lento e misterioso, está conscientemente aberto na minha vida, e comecei a percorrê-lo há mais de 40 anos, avançando, recuando, perdendo-me, procurando, avaliando outras alternativas, sem realmente saber quando começou ou se o conseguirei percorrer no todo ou em parte. Quanto mais o percorro, mais vejo que não avanço verdadeiramente a não ser pela Fé e que, se calhar, nunca saí da entrada: Dizem os Mestres que não há Caminho a percorrer e que o todo está sempre aqui no mesmo instante. Apenas demora uma eternidade a percebê-lo, isto é, um momento…
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
A alma aos pedaços
Reparo agora que tenho andado ausente da escrita, do registo dos meus passos, como se na minha mente todos se confundissem num só, como a praia quando junta as milhares de pegadas num dia de verão e num só amasso, vemo-la palmilhada ao fim do dia, sem podermos dizer a quem corresponde o quê, em qual direcção, se a pé devagar ou a correr, se amantes enlaçados ou velhos com cadeiras de descanso, tudo é uma coisa só.
Estou assim, não destrinço os meus passos, todos me levam numa direcção, para onde não saberia dize-lo. Até porque há a noite, sobe a maré e desses passos nem sombra, provavelmente não existem, já passaram ou nem tiveram importância.
De manhã, de novo, uma praia para palmilhar, novos registos de novos passos que, no final do dia, de novo se confundirão. Parece que o milagre é haver amanhã, depois de acharmos que nada mais temos para acrescentar, eis que temos mais 1440 minutos fresquinhos e de borla, um novo dia para aproveitar.
Não é verdade que não tenha nada para partilhar: há milhares de pedaços de mim espalhados pelos areais, mil converas, mil visões, mil pensamentos e emoções, dispersos e sempre renovados. Eu tenho a impressão que já o dissera mas sempre me aparecem como novos.
- Então novidades? perguntam-me os amigos. Cá estou, cá vou, digo eu.
- Mas já voas?
- Tento. Parece que sim, mas é em círculos, ou elipses ou em curvas fechadas de regularidade incerta. Todos os dias voo mais um bocado.
- E já viste a Luz?
- Em mil bocados dispersos na minha alma. Acordo de manhã e só tenho vestígios. Começa sempre tudo de novo.
Cai a noite outra vez. Sei que a memória me vai falhar imersa no Oceano escuro. Inquieto volto ao ninho guardando o dia em luz na alma, mas amanhã não me lembro.
Tanto para contar e já me esqueci.
quarta-feira, maio 07, 2008
Memória dos dias em que não voava
Às vezes, não sei se por aspecto harmónico, se por trânsito de entidade benfazeja, suaviza-se a noite e fico bem. O lobisomem desaparece e fico eu, muito brilhante e harmónico. Pacificado com todos e agradecido.
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Mais angústias do tempo perdido
Salta, agora, salta. Vai em frente, o portão aberto, o cão dorme, o guarda ronda por outra parte. Agora tens de saltar. Abre os braços em chama e arde no espaço que te resguarda, amortalha e leva, para fora de ti, além de ti, apesar de ti.
Imortalmente espero.
Aqui virás cedo ou tarde, aqui virás. A voar ou aos trambolhões, inteiro ou aos pedaços, lúcido ou iludido, por tua vontade ou empurrado.
Estaremos sempre aqui à tua espera oh pássaro cego!