Depois de seguir passos e instruções acho que consegui ter uma linha de comentários. Deixa lá ver...
Gostava de ter feed-back do ocasional visitante. Sempre me orienta o voo.
Obrigado
As tentativas de voo de Birdie, o pássaro cego. Narrativas do que ouviu na tentativa de se evadir e o sexto sentido :)
segunda-feira, maio 31, 2004
quarta-feira, maio 26, 2004
A todos os meus admiradores
Tenho sido ajudado nesta aventura solitária. Sem saber como, todos os dias na minha caverna há pão quente, manteiga e CAFÉ, claro, a coisa imprescindível para mover esta carcaça e esticar as asinhas na lúcida escuridão do meu penar. Duas mugs e uma carcacita com manteiga (afinal bolinha de mistura) depois já me sinto melhor, posso sair para as minhas explorações diárias, na dúvida alucinada se a luz que vejo é apenas a escuridão colorida dos meus pensamentos ou luz verdadeira, coeva com a LUX AETERNA, fonte de tudo, da magia cósmica, luz da vida, calor dos corpos, espaço e veículo de todos os nossos passos. Lavro aqui o reconhecimento e gratidão, por esses que diaria e anonimamente me alimentam de pão fresco, estaladiço, manteiga e café fumegante e delicioso.
Antes, já laboriosos seres tinham disponibilizado água nas torneiras, quente e fria para temperar, toalhões secos, roupão turco, para efectuar as minhas abluções matinais com conforto e segurança. Dou ao botão acende-se a luz, carrego na descarga e sai água, lavo-me e perfume-me com produtos que seres invisíveis colocaram no sítio certo, no momento certo, à minha disposição. Agradeço a todos esses admiradores secretos do fundo do coração o labor deligente e paciente, anónimo, mesquinho mas imprescindível e amável de cuidarem do meu estar.
Ando com a sensação que o mundo conspira em meu favor, com todos estes anónimos admiradores que tudo fazem para me darem uma vida mais simpática, para suportar melhor esta jaula escura onde o meu cantar se perde na escuridão da caverna que me guarda, no meu vagar de pahssaro cego contra as paredes da minha vida. A única luz é interior, o único espaço para voar é o da minha imaginação. Vejo-te em sonhos e logo voo ao teu encontro. Que trago desses impalpáveis encontros? O gosto molhado dos teus olhos que, como os meus, nada vêem excepto as paredes escuras que a ambos encerra. Onde estás? Porque não posso tocar-te? Qual a palavra secreta, que SHAZAM, que ABRE-TE SÉSAMO, abre este túmulo e nos abre para a vida? Vida viva, quente, palpitante, como um coração, uma veia do pescoço ou um abraço.
Quero um abraço! Quero guardar-me em ti num regresso improvável a um útero quente e nutritivo! Acho que estou a desnascer!
O trinco da porta está aqui mesmo, debaixo das minhas mãos. Se apenas conseguisse abertá-lo e abrir para fora! Renascer, através de ti, para a vida nova e V O A R para além, depois da risca do horizonte, para o outro lado do dia, nas mãos do vento, além de mim.
Obrigado a todos, obrigado a ti que me queres bem. Para a próxima trago-te rosas dos meus passeios ao Jardim do Além.
Antes, já laboriosos seres tinham disponibilizado água nas torneiras, quente e fria para temperar, toalhões secos, roupão turco, para efectuar as minhas abluções matinais com conforto e segurança. Dou ao botão acende-se a luz, carrego na descarga e sai água, lavo-me e perfume-me com produtos que seres invisíveis colocaram no sítio certo, no momento certo, à minha disposição. Agradeço a todos esses admiradores secretos do fundo do coração o labor deligente e paciente, anónimo, mesquinho mas imprescindível e amável de cuidarem do meu estar.
Ando com a sensação que o mundo conspira em meu favor, com todos estes anónimos admiradores que tudo fazem para me darem uma vida mais simpática, para suportar melhor esta jaula escura onde o meu cantar se perde na escuridão da caverna que me guarda, no meu vagar de pahssaro cego contra as paredes da minha vida. A única luz é interior, o único espaço para voar é o da minha imaginação. Vejo-te em sonhos e logo voo ao teu encontro. Que trago desses impalpáveis encontros? O gosto molhado dos teus olhos que, como os meus, nada vêem excepto as paredes escuras que a ambos encerra. Onde estás? Porque não posso tocar-te? Qual a palavra secreta, que SHAZAM, que ABRE-TE SÉSAMO, abre este túmulo e nos abre para a vida? Vida viva, quente, palpitante, como um coração, uma veia do pescoço ou um abraço.
Quero um abraço! Quero guardar-me em ti num regresso improvável a um útero quente e nutritivo! Acho que estou a desnascer!
O trinco da porta está aqui mesmo, debaixo das minhas mãos. Se apenas conseguisse abertá-lo e abrir para fora! Renascer, através de ti, para a vida nova e V O A R para além, depois da risca do horizonte, para o outro lado do dia, nas mãos do vento, além de mim.
Obrigado a todos, obrigado a ti que me queres bem. Para a próxima trago-te rosas dos meus passeios ao Jardim do Além.
terça-feira, maio 04, 2004
Mas onde é que andaste?
Pois não sei... nem tens nada a ver com isso. Ausentei-me, pronto! Queres que te diga que fui comprar cigarros? Como não havia a marca que eu queria fui ao próximo kiosk e, indo de que kiosk em kiosk, fui ali e já vim só passaram TRÊS MESES E JÁ ESTÁS A CHATEAR, PORRA!
Voltei. Isso te deveria bastar para te consolar, para te alvoraçar, para renovar e te encher de júbilo, de alegria, de festa e de prazeres antegozados na noite das nossas núpcias renovadas. Sabes foi do café. Foram as borras cheias de ADN magnífico, de cogumelos microscópicos, que me deram esta facilidade de me transmutar e, sem saber, fugir ao tempo e inscrever-me numa oitava mais alta onde o tempo não é tempo é devir. Devim (estou assim, pró-núncio, praetor, invento e autorizo novas palavras, aguenta-me...). Arre, já não se pode dizer nada, dizia devim e já estás cheia de caretas e juízos omissos nessa caixinha de pirolitos a que chamas cabeça. Devim, dizia, outro. Sou outro. Adeus birdie, adeus prisões, voei livre e incorruptível no espaço sidério, num voo picado para lá de Urano, deixando-me atrair pelo planeta dos confins, o imprescrutável Neptuno o astro sem limites, das ilusões e dos sonhos, da dissolução do ego e da alta espiritualidade. Por isso já não sou mais eu, sou outro que não quer mais saber quem é, conduzido pela vibração trans-sidéria onde todos nos encontraremos um dia.
Contudo a palpabilidade da escrita devolve-me este concreto da gaiola que não abre, desta prisão de pedras invisíveis que não posso derrubar a não saber por um esforço de abstração, ausento-me para dentro e fujo por aí, pelo poço que se abre por dentro, dentro do ser, escalando a muralha interna, afogando-me nas águas densas e escuras do meu inconsciente, onde todas as chaves estão depositadas, mas onde todas as portas não têm fechadura, abrem-se pela invocação de mantras arcaicos, pela vibração do canto, à minha passagem insensivelmente, escancaram-se para outros planos e realidades, transmutáveis e perenes, isso as caçadas eternas, as do índio americano, do índio maia, azteca ou atlante, os sítios sonhados e cantados nas lendas, terra dos deuses e dos homens-deus, os afortunados tocados na fronte por Afrodite, a filha da espuma do Oceano.
Desafoguei-me, saí do poço, voltei para aquele espaço entre a muralha de dentro e a muralha de fora, aquela que me separa dos outros e do mundo. Afinal não fui a lado nenhum, não te queixes, estive sempre aqui, ao teu lado, apenas sentado, calado, imóvel por fora, enquanto livre vagava noutra dimensão. Não podes vir comigo, apenas poderemos encontrarmo-nos nesse plano do impalpável e do onírico se sonharmos o mesmo sonho e nele nos enlaçarmos para uma nova encarnação. Talvez possamos transcender a pedra amando-nos. Senta-te ao meu lado e não chores. Une-te à minha respiração, inspira e expira comigo, lenta e pausadamente, canta o mantra e voa comigo. Apoia as tuas costas nas minhas, vê se arranjas duas almofadas senão ficamos com os rabos dormentes, apoia-te em mim, endireita a cabeça e toca-me: a tua respiração embala a minha, o teu calor envolve o meu, a energia corre pela kundalini e abre a flor na coroa, abre-se o poço interior, abre-se o lago tranquilo, o rio interior que nos leva do Hades para fora, por algum tempo como Perséfone, para o campo dos deuses, dos cantares e do hidromel. Bebamos e cantemos, alegremo-nos: somos livres.
Voltei. Isso te deveria bastar para te consolar, para te alvoraçar, para renovar e te encher de júbilo, de alegria, de festa e de prazeres antegozados na noite das nossas núpcias renovadas. Sabes foi do café. Foram as borras cheias de ADN magnífico, de cogumelos microscópicos, que me deram esta facilidade de me transmutar e, sem saber, fugir ao tempo e inscrever-me numa oitava mais alta onde o tempo não é tempo é devir. Devim (estou assim, pró-núncio, praetor, invento e autorizo novas palavras, aguenta-me...). Arre, já não se pode dizer nada, dizia devim e já estás cheia de caretas e juízos omissos nessa caixinha de pirolitos a que chamas cabeça. Devim, dizia, outro. Sou outro. Adeus birdie, adeus prisões, voei livre e incorruptível no espaço sidério, num voo picado para lá de Urano, deixando-me atrair pelo planeta dos confins, o imprescrutável Neptuno o astro sem limites, das ilusões e dos sonhos, da dissolução do ego e da alta espiritualidade. Por isso já não sou mais eu, sou outro que não quer mais saber quem é, conduzido pela vibração trans-sidéria onde todos nos encontraremos um dia.
Contudo a palpabilidade da escrita devolve-me este concreto da gaiola que não abre, desta prisão de pedras invisíveis que não posso derrubar a não saber por um esforço de abstração, ausento-me para dentro e fujo por aí, pelo poço que se abre por dentro, dentro do ser, escalando a muralha interna, afogando-me nas águas densas e escuras do meu inconsciente, onde todas as chaves estão depositadas, mas onde todas as portas não têm fechadura, abrem-se pela invocação de mantras arcaicos, pela vibração do canto, à minha passagem insensivelmente, escancaram-se para outros planos e realidades, transmutáveis e perenes, isso as caçadas eternas, as do índio americano, do índio maia, azteca ou atlante, os sítios sonhados e cantados nas lendas, terra dos deuses e dos homens-deus, os afortunados tocados na fronte por Afrodite, a filha da espuma do Oceano.
Desafoguei-me, saí do poço, voltei para aquele espaço entre a muralha de dentro e a muralha de fora, aquela que me separa dos outros e do mundo. Afinal não fui a lado nenhum, não te queixes, estive sempre aqui, ao teu lado, apenas sentado, calado, imóvel por fora, enquanto livre vagava noutra dimensão. Não podes vir comigo, apenas poderemos encontrarmo-nos nesse plano do impalpável e do onírico se sonharmos o mesmo sonho e nele nos enlaçarmos para uma nova encarnação. Talvez possamos transcender a pedra amando-nos. Senta-te ao meu lado e não chores. Une-te à minha respiração, inspira e expira comigo, lenta e pausadamente, canta o mantra e voa comigo. Apoia as tuas costas nas minhas, vê se arranjas duas almofadas senão ficamos com os rabos dormentes, apoia-te em mim, endireita a cabeça e toca-me: a tua respiração embala a minha, o teu calor envolve o meu, a energia corre pela kundalini e abre a flor na coroa, abre-se o poço interior, abre-se o lago tranquilo, o rio interior que nos leva do Hades para fora, por algum tempo como Perséfone, para o campo dos deuses, dos cantares e do hidromel. Bebamos e cantemos, alegremo-nos: somos livres.
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