Tu que viste a Luz, que saltaste a Cerca, que quebraste as Cadeias, que leste o Livro, que ouviste o Segredo, que sentiste o Frémito, que provaste a Taça, que chupaste o Sal, que lambeste o Mel, que abraçaste o Ar, porque não VOAS?
Salta, agora, salta. Vai em frente, o portão aberto, o cão dorme, o guarda ronda por outra parte. Agora tens de saltar. Abre os braços em chama e arde no espaço que te resguarda, amortalha e leva, para fora de ti, além de ti, apesar de ti.
Imortalmente espero.
Aqui virás cedo ou tarde, aqui virás. A voar ou aos trambolhões, inteiro ou aos pedaços, lúcido ou iludido, por tua vontade ou empurrado.
Estaremos sempre aqui à tua espera oh pássaro cego!