Solto os dedos nas teclas e procuro um rumo, uma pista, uma fantasia que me dê a energia de que preciso para voar para fora, resolver para dentro e tratar de tudo o que precisa de ser tratado. Estou à rasca! É este o termo: à rasca! Provisões nada. Despensa? vazia, Perspectivas, mapas? Para onde vou? Para onde voo?
Ontem andava a ver um bocado de televisão (sim, aqui na caverna também há disso, recebe a TvCabo e tudo...), e deu uma série chamada Gideon's Crossing. Apercebi-me que é isso mesmo que se está a passar comigo - uma travessia. A minha é deste negrume, desta espessura sem forma, sem ralo, sem tampa, que não abre nem se desfaz, apenas a posso aspirar para dentro, importar esta noite e ficar com ela dentro e fora, onde a luz que a ilumina é a da minha imaginação. Se calhar a única luz que a todos anima, a luz da transcendência, é vibrátil e sensível, mas não é a do Sol. O luz do Sol resolve a vida, a materialização é o forno da forma.
Falo da luz do propósito , a luz da fé, a luz da transcendência, que é uma vibração não luminosa. Antes uma nave que nos transporta para a dimensão além do tempo, onde tudo está simultâneamendte aqui e agora, os que são, os que foram e os que serão, todos os acontecimentos são apenas um ponto multi-complexo, uma espécie de multi-dimensionalidade enrolada, um nó nas linhas do tempo, um foco do elíptico espaço pessoal. O outro foco é ocupado por mim mesmo, no negativo. Eu sou o único inimigo a única verdadeira ameaça a mim-mesmo. Se me abraçar, se me aceitar, se me autorizar a voar, este monte de penas errantes, talvez, pode ser, talvez, que as elipses da minha vida se fechem progressivamente num círculo perfeito onde alcance a graça do centro, o nó górdio da vida, o nó do tempo e sentado nessa dimensão tudo alcance, tudo saiba e mais nada tenha importância. Nem fome, nem frio, nem calor, nem vento, nem chuva, nem desejo. Nada. N A D A.
Se calhar equilibra-se o mundo no bico...