quarta-feira, maio 26, 2004

A todos os meus admiradores

Tenho sido ajudado nesta aventura solitária. Sem saber como, todos os dias na minha caverna há pão quente, manteiga e CAFÉ, claro, a coisa imprescindível para mover esta carcaça e esticar as asinhas na lúcida escuridão do meu penar. Duas mugs e uma carcacita com manteiga (afinal bolinha de mistura) depois já me sinto melhor, posso sair para as minhas explorações diárias, na dúvida alucinada se a luz que vejo é apenas a escuridão colorida dos meus pensamentos ou luz verdadeira, coeva com a LUX AETERNA, fonte de tudo, da magia cósmica, luz da vida, calor dos corpos, espaço e veículo de todos os nossos passos. Lavro aqui o reconhecimento e gratidão, por esses que diaria e anonimamente me alimentam de pão fresco, estaladiço, manteiga e café fumegante e delicioso.
Antes, já laboriosos seres tinham disponibilizado água nas torneiras, quente e fria para temperar, toalhões secos, roupão turco, para efectuar as minhas abluções matinais com conforto e segurança. Dou ao botão acende-se a luz, carrego na descarga e sai água, lavo-me e perfume-me com produtos que seres invisíveis colocaram no sítio certo, no momento certo, à minha disposição. Agradeço a todos esses admiradores secretos do fundo do coração o labor deligente e paciente, anónimo, mesquinho mas imprescindível e amável de cuidarem do meu estar.
Ando com a sensação que o mundo conspira em meu favor, com todos estes anónimos admiradores que tudo fazem para me darem uma vida mais simpática, para suportar melhor esta jaula escura onde o meu cantar se perde na escuridão da caverna que me guarda, no meu vagar de pahssaro cego contra as paredes da minha vida. A única luz é interior, o único espaço para voar é o da minha imaginação. Vejo-te em sonhos e logo voo ao teu encontro. Que trago desses impalpáveis encontros? O gosto molhado dos teus olhos que, como os meus, nada vêem excepto as paredes escuras que a ambos encerra. Onde estás? Porque não posso tocar-te? Qual a palavra secreta, que SHAZAM, que ABRE-TE SÉSAMO, abre este túmulo e nos abre para a vida? Vida viva, quente, palpitante, como um coração, uma veia do pescoço ou um abraço.
Quero um abraço! Quero guardar-me em ti num regresso improvável a um útero quente e nutritivo! Acho que estou a desnascer!
O trinco da porta está aqui mesmo, debaixo das minhas mãos. Se apenas conseguisse abertá-lo e abrir para fora! Renascer, através de ti, para a vida nova e V O A R para além, depois da risca do horizonte, para o outro lado do dia, nas mãos do vento, além de mim.
Obrigado a todos, obrigado a ti que me queres bem. Para a próxima trago-te rosas dos meus passeios ao Jardim do Além.

Sem comentários: