Mas que coisa maravilhosa, voltar para casa! Pois sim, depois de muito pairar, esvoaçar e meditar, resolvi voltar à caverna já que lá fora, fora das sombras, a coisa anda difícil, o Sol não está sempre a pino, a bem dizer acaba-se, nesta altura do ano, por apanhar um frio húmido e nada agradável e o que apetece mesmo é ficar no quentinho em casa. No Egipto é o que é! No Egipto. Lembrei-me das bíblicas murmurações do povo no deserto, agora que era livre, que diziam que este (Moisés) trouxe-nos para aqui para o deserto, nas nossas casas podia não haver grande coisa mas sempre se tinha água para beber e uma cama para descansar. O pior eram os tijolos e o constante amassar de palha, barro e água, enfim era pesado, cansativo e quebrava as costas. Diziam preferir isso a marchar sem rumo nem destino à espera que o Patriarca recebesse um sinal do Eu Sou. Ingratos e ignaros! Gente idólatra e apóstata, adoradores de bezerros fundidos. Como eu. ando por aí ao fresco vai para um ano e nem uma linha nada de nada. Voltei para a escura caverna convicto que além e o aquém são territórios conhecidos e a passagem do alto para o escuro facilitada, qual psicopompos dos tempos cavernais.
Nada mais incerto, mais indeterminado, mais fortuito, mais fugidio, mais diáfano que a incerteza onde estou. Desnasci, dizia eu há imenso tempo, quando queria daqui sair.
Quero contar um segredo: perdi a chave e não a achava. Resolveu-se! As saudades que eu tinha de escrever, desta prosa irregular, sem mais por si que o prazer do voo, às vezes um curto bater de asas, outras com tentativas mais arrojadas, nem sempre claras, bem sucedidas ou sequer inteligíveis. Mas sim, porque sim, eu queria era voltar a escrever.
Amanhã haverá mais?
Deixa ver como se levanta o Sol - ainda saio a voar outra vez por aí.
Um beijo a todos
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