É feio gabar-se. É ridículo, narcisista e inútil, os outros te darão o feedback, não precisas de te vangloriar.
Não o irei fazer, apenas revejo o que publiquei em anos atrás e releio com prazer. Bem, eu acho agradável e sugestivo, uma espécie de poesia em prosa ou um registo com uma certa sensibilidade e subjectividade. Claro, eu sou suspeito.
Um bocado como mandar sms a si próprio, o cúmulo da solidão. "Olá, estás bom?" "Bem, bem, obrigado por perguntares", enfim, coisas deste género, é ridículo, bem sei, quer dizer, estou a falar sozinho.
Quem não está? Quem consegue comunicar, palpavelmente, com outro? A imensa dificuldade em entender o outro, o que realmente estamos a dizer e porque o estamos a dizer.
Aprendi a espreitar o diálogo, entender no sub-texto o que está ser dito ou pedido, tantas vezes as nossas mensagens mais não são que um pedido de socorro.
Pronto, help! Isto está tudo uma merda, não encontro soluções para tanta angústia, tanta ausência, tanto vazio. Adorava ter os v. comentários, as v. sugestões, o v. parecer, enfim o que possam mandar.
A coisa está fria, húmida, escura e pegajosa na caverna e lá fora não parece estar melhor, pelo que leio e ouço nas notícias. Precisamos de nos erguer de novo, cuidar do nosso e enfrentar, juntos, as dificuldades do viver.
Acredito poderosamente no poder do colectivo, ergam-se pássaros, cegos, zarolhos, coxos, levantem-se que a nossa Pátria está a sofrer.
É impossível não ser político num tempo em que precisamos de rever urgentemente onde nos encontrar, ter um sonho colectivo para um novo amanhã.
A escrita, a minha, não é mais que um grito sobre o mutismo hipócrita e desolador das mentiras com que nos envolveram, das verdades convenientes trocadas pela convenção social e amplificadas pelos media.
Leio e releio Pessoa e a Mensagem, acho que está lá tudo e a visão de um novo amanhã. A nós acreditar, a nós proclamar, a nós decidir o futuro, que assim não dá.
Valete Frates!
1 comentário:
Valha-nos o Sachetti! Só ele para nos arrancar um sorriso divertido e doce, saudoso da sua escrita e do seu humor... Tão bom teres saído dessa gruta escura e pegajosa...
Pois que neste rectângulo (sim, sou antiguinha: badamerda para o acordo ortográfico!)à beira-mar esquecido já só nos rimos com um breve e curto esgar, uma careta incomodativa não vá alguém reparar que estamos felizes...
Obrigada por me deixares ler-te. È sempre um sopro bom na minha alma.
Yolanda
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