terça-feira, janeiro 13, 2004

Acabou-se a comida

Pronto, porra, agora é que é: vou morrer à fome. Nem minhoca nem caviar. As asas já não batem de fraquinhas, só consigo dar uns passinhos em círculos entrechocando com várias coisas moles e esponjosas, volumosas e fedorentas, que por aqui se arrastam. Há um urro no ar incompreensível como o som do urso. E não se cala! Já não basta ter fome, não ter onde ir, nem como me deslocar, ainda tenho que ouvir este grunhido insuportável de urso com patas pesadas. A ver se não dá comigo. Como diz a piada "quando estiveres na merda não pies". Tenho mantido o bico calado, mas gostaria de mostrar um olhar furioso, mas nesta escuridão, esta cegada, não o posso mostrar. Só posso confiar no sexto sentido!

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