quarta-feira, janeiro 07, 2004

Qualquer coisa que não seja chocar contra as portas!
Está tudo fechado, concêntrico, asfixiante, mal consigo abrir as asas, Dou três vezes às asas e choco com alguma coisa esponjosa e com mau hálito. Não é um cão porque não me ladrou, rosnou ou pior me engoliu. Eu acho que desejo secretamente entrar-lhe pelas ventas adentro e esconder-me naquele estômago nojento e pestilento e esperar que o dog me vomite, como a Baleia fez ao Jonas. Creio que vou conseguir basta seguir o cheiro horrível do mau hálito. Aquilo com choquei à pouco deve estar meio-morto ou em coma alcoolico, porque tem um um respirar repugnante cheio de silvos e cheiro a formol. Estarei encerrado no túmulo do TUT? Dentro da grande pirâmide? O que serão estas coisas esponjosas e VIVAS contra as quais me esbarro? Não vejo nada, nunca vi nada, cresci assim CEGO, ou será que o breu é tamanho que só não vejo porque não há LUZ? Também não ouço nada, mas sei que não sou surdo. Até ouço, mas apenas o estertor repugnante de um @@@@XXX@@@ (à falta de melhor nome) que agónico fede. Cheiro pelo que vejo, e pelo que percebo distingo os bons cheiros dos maus. Se não tivesse batido tantas vezes com os cornos contra coisas duras (paredes, pedras, obstáculos, portas e outros corpos de seres que nem sei se estão vivos ou mortos), talvez ainda tivesse a memória intacta. Estou amnésico de todo. foram as pancadas na pobre moleirinha em pequenino. A única memória doce que guardo ensta escuridão foi um beijinho que a minha mãe me deu com a recomendação que me portasee bem que ela voltava logo. Mas já não sei se isso é verdade ou mentira, se calhar sou eu a consolar-me, se calhar nem nasci...

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